FRANCISCLAREANDO – Sede Santos

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Toda pessoa batizada é chamada à santidade. Celebrando o “mês preferido do santo querido senhor São José”, a quem o Papa Francisco nos convocou a dedicar este ano, queremos refletir o que significa ser santa, santo, na espiritualidade de Clara e Francisco de Assis.

Para Clara, a santidade é dom de Deus que se agradece cultivando-a com zelo e perseverança para chegarmos à perfeição do próprio Deus, em obediência ao mandato de Jesus Cristo (Mt 5,48). “Agradeço ao Doador da graça, do qual cremos que procedem toda dádiva boa e todo dom perfeito, pois adornou-a com tantos títulos de virtude e a fez brilhar em sinais de tanta perfeição, para que, feita imitadora atenta do Pai perfeito, mereça ser tão perfeita que seus olhos não vejam em você nada de imperfeito (2In 3-4).

É esforço de transformar-se na imagem de Jesus Cristo, pela prática cotidiana da contemplação. “Olhe dentro deste espelho todos os dias, ó rainha, esposa de Jesus Cristo, e espelhe nele sem cessar, o seu rosto…” (3In 12s). “Ponha a mente no espelho da eternidade, coloque a alma no esplendor da glória. Ponha o coração na figura da substância divina e transforme-se inteira, pela contemplação, na imagem da divindade” (4In 15). “Veja como por você ele se fez desprezível e o siga, sendo desprezível por ele neste mundo. Com o desejo de imitá-lo, mui nobre rainha, olhe, considere, contemple o seu esposo, o mais belo entre os filhos dos homens feito por sua salvação o mais vil de todos, desprezado, ferido e tão flagelado em todo o corpo, morrendo no meio das angústias próprias da cruz (2In 19-20).

Esta santidade, transparece, naturalmente, no cuidado com as irmãs, no amor aos pobres, na vida de pobreza, no “abraçar o Cristo pobre como virgem pobre” (cf. 2In 18).

Francisco tem várias maneiras de compreender a santidade. Uma delas é como bom exemplo, ou como se diz hoje, testemunho. No Espelho da Perfeição, se conta que “Certa ocasião, quando o bem-aventurado Francisco visitava o senhor de Óstia, que depois foi o Papa Gregório, na hora da refeição, quase furtivamente foi pedir esmolas de porta em porta. Quando voltou, o senhor de Óstia já estava à mesa com numerosos cavaleiros e nobres. O bem-aventurado Francisco chegou, pôs sobre a mesa, diante do cardeal, as esmolas que havia recolhido e sentou-se à mesa a seu lado … Depois de comer alguma coisa, São Francisco tomou suas esmolas e, em nome do Senhor, deu uma porção a cada cavaleiro e a cada capelão do senhor cardeal. …

Depois da refeição, o cardeal entrou no seu aposento, levando o bem-aventurado Francisco consigo. E, levantando os braços, abraçou o bem-aventurado Francisco com muita alegria e exultação, dizendo-lhe: “Por que, meu irmão, simplório, me causaste hoje a vergonha de, ao vires à minha casa, que é casa dos teus irmãos, saíres a pedir esmolas?” … O bem-aventurado Francisco respondeu-lhe: … “Devo ser o modelo e o exemplo de vossos pobres… (cf. EP 23,1-12a).

Entre suas muitas exortações aos irmãos encontramos: “Consideremos, irmãos caríssimos, a nossa vocação, pela qual Deus nos chamou com misericórdia, não só para a nossa salvação, mas para a de muitos, a fim de irmos pelo mundo, exortando a todos, mais com o exemplo que com a palavra, a fazer penitência de seus pecados e lembrar-se dos mandamentos de Deus” (LTC 36, 2a).

Irmãs, vamos caminhando, com alegria, esperança e determinação! Busquemos a santidade – e a reflitamos em uma vida de busca da unidade, da justiça, da paz, do amor comprometido.

Por Irmã Maria Fachini

Fonte: CICAF

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