FRANCISCLAREANDO – Tempo da Criação

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Um sábio e universal jesuíta, de coração franciscano, eleito para dirigir os destinos da Igreja conclamou os habitantes da mãe Terra a realizar um tempo de intensificação dos cuidados do planeta “mais pobre entre os pobres”, para cultivar e adotar atitudes que possam transformar as dores da agonia em dores de parto de uma nova criação. O tempo da criação é “urgência que não permite esperar”. Uma urgência que só será realidade através de uma profunda mudança: Mudança desde dentro de nós, uma conversão do coração, da mente, da maneira de viver e de nos relacionar com a casa comum, a criação obra da sábia e amorosa mão do Senhor da Vida.

Francisco de Assis, com sua maneira de tratar as criaturas, irmãs e irmãos a serem cuidados e protegidos é espelho no qual vemos refletida a própria maneira do Criador de tratar suas criaturas. Em suas biografias superabundam exemplos como este: “Uma vez, chegando ao povoado de Alviano para pregar a palavra de Deus, subiu a um lugar mais alto para poder ser visto por todos e começou a pedir silêncio. Estando todos calados e esperando com respeito, uma porção de andorinhas, que tinham ninho naquele lugar, faziam uma algazarra e muito ruído. Como não podia ser ouvido pelas pessoas, São Francisco dirigiu-se aos passarinhos dizendo: “Minhas irmãs andorinhas, já está na hora de eu lhes falar também, porque até agora vocês já disseram o suficiente. Ouçam a palavra de Deus e fiquem quietas e caladas até o fim do sermão do Senhor”. Para grande espanto e admiração de todos os presentes, os passarinhos logo se aquietaram e não saíram de seus lugares até que a pregação acabou. Vendo esse sinal, todos diziam, maravilhados: “Na verdade, este homem é um santo e amigo do Altíssimo”. … De fato, era para admirar que até as criaturas irracionais fossem capazes de reconhecer o seu afeto para com elas e de pressentir o seu carinho” (1Cel 59).

O amor não pode ficar escondido. Ninguém consegue fazê-lo. E não precisa sair apregoando nada. Ele mesmo se revela pelos poros, pelos gestos, pela voz, pelo brilho dos olhos. De Francisco se pode dizer que é um “homem-feito-amor-por-todo-ser–criado”assim como se diz que é “homem-feito-oração”.

Clara centrou sua contemplação no Cristo pobre e crucificado, “primogênito de toda criatura”. Nos seus escritos, não são abundantes as referências à natureza, à criação. Vivendo reclusa, é compreensível que não desenvolva muito o tema da comunhão com as criaturas. Ainda assim, uma testemunha afirma que: “…quando a santíssima madre enviava as irmãs externas fora do mosteiro, as exortava a louvar o Senhor pelas árvores belas, floridas e frondosas e que, ao olhar os seres humanos e as outras criaturas, louvassem sempre o Senhor, por todas e em todas as coisas” (PC 14,9).

Mais do que nunca a terra geme e sofre por toda espécie de tortura a que é submetida: pelas máquinas que rasgam seu ventre, os metais pesados e insumos agrícolas que envenenam seu sangue; pelo lixo indiscriminadamente atirado em seu corpo; pela má distribuição da terra; pela fome e sede de milhares de seus filhos. É tempo de ouvir seus gemidos e sanar suas feridas.

Aproveitemos este tempo da criação para avançar na superação dos abismos que separam seres humanos de seres humanos; para aprofundar a consciência sobre o cuidado do planeta; para estreitar os laços de fraternidade, para apressar a instauração do novo céu e da nova terra, a hora do Reino de Deus entre nós.

Fonte: cicaf.org.br

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