Reflexão: Celebrar a Páscoa é continuar a esperançar tempos melhores

107

Desde o Domingo de Ramos até o Domingo de Páscoa, a Igreja nos convida a refletir os passos de Jesus frente ao caminho que O levaria ao calvário, porém, este caminho não se finda ali no Gólgota, mas segue o projeto do Pai, que é a ressurreição do Filho.

Um sinal de esperança é a nova realidade, a Páscoa também tem um novo significado, um desafio para todos. É necessário agir com consciência. Para tanto, é necessário mudar, observar nossas atitudes e cuidar do outro. Faz-se necessário observar o caminho do encontro com o próximo e as novas necessidades frente aos desafios atuais.

Importante observar que, frente ao que Jesus estaria vivendo, Ele assume esta caminhada diante dos desafios da sua época. Jesus não se entrega como um perdedor, mas apresenta a todos nós como seguir adiante os problemas do dia a dia. Assim, todos os que tiveram contato com Jesus, reagindo cada um a seu modo, sai renovado diante da situação vivida.

Jesus encontra pessoas que choram por ele; sentem por sua condição, mas, ao mesmo tempo, há pessoas que passam por Ele e O ignoram. Assim é a nossa vida e, diante desta realidade, devemos ser mais humanos e cuidar uns dos outros. Para tanto, precisamos compreender o caminho de Jesus e sua entrega.

Após sua morte, nossa atenção se volta para o Domingo de Páscoa, entretanto é no Sábado Santo um tempo não só de espera, mas de esperança, de abrir-se a algo novo e inesperado, de sonhar um mundo melhor e uma Igreja mais preocupada com o exemplo do Nazareno.

Para tanto, devemos ser testemunhas do Ressuscitado. Todavia é preciso observar a entrega de Jesus para toda a humanidade. A Pascoa é o ápice das celebrações do calendário Cristão. A ressurreição de Jesus é uma realidade para aqueles que creem na vida eterna.

No relato do Domingo de Páscoa, encontramos o protagonismo das mulheres que não se esconderam e caminham, bem cedo, até o sepulcro para levar perfumes para ungir o corpo de Jesus. As mulheres têm um papel fundamental no Projeto de Deus e são elas que, despojando de tudo que tinham, servem a Jesus desde o caminho percorrido com ele até o final, na Cruz”. Por isso, são elas a encontrarem o sinal de que Jesus já não estava entre os mortos, havia ressuscitado.

É preciso nos apoiar na realidade, encarar o que estamos vivendo. Não podemos deixar de lado a gravidade dos acontecimentos. Precisamos seguir em frente, mas não é ético ocultar ou virar as costas à realidade e aos problemas sociais atuais, agravados pela pandemia; para isso, é preciso ser ético e coerente. Pensar em ética é pensar em condutas e valores que norteiam nossos atos, ações e decisões.

Precisamos voltar constantemente ao Evangelho para compreender o mais essencial sobre Jesus. Recuperemos, como diz o papa Francisco, o frescor original do Evangelho. Assim, um “mundo novo” só será possível se formos construtores de uma mudança em nós para olharmos a realidade que vivemos.

Devemos observar e fazer valer a nossa oração, o nosso pedido de auxílio a Deus que é Pai misericordioso. Ele nos escuta e vem em socorro da nossa vida. A realidade atual vivenciada por nós é um convite a olhar para esta pandemia como desafio a ser superado como caminho para criar esperança e gestar uma realidade nova, novos projetos e outro jeito de viver, mais humano, mais ético e solidário. Jesus, que foi o verdadeiro propagador da mudança de sua época, nos inspire a continuar nesta caminhada. Em vista disto, é necessário observar o que temos feito e como temos vivido diante da relação com o outro e o cuidado e zelo frente à realidade da pandemia.

Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves

Robson Ribeiro de Oliveira Castro Chaves é mestre em Teologia pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia (FAJE), em BH, professor de teologia no Instituto Teológico Franciscano (ITF), em Petrópolis (RJ) e membro do Conselho Regional de Formação (CRF) – LESTE II do CNLB.

Fonte: Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe seu comentário
Coloque seu nome aqui