História dos Frades Menores Capuchinhos, Ordem fundada por São Francisco de Assis

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Detalhe de ‘San Francesco riceve le stimmate’ (frente), de Guido Reni, 1629, óleo s/ tela, 217x152cm

A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFMCap) é um ramo da Família Franciscana que tem São Francisco de Assis como pai e fundador

1209

A Ordem dos Frades Menores surgiu em 1209, aprovada oralmente pelo Papa Inocêncio III. A Regra oficial só seria reconhecida em 1223. Francisco de Assis, fundador da Ordem, desejava viver uma vida de simplicidade, conforme ouvira do evangelho que diz: “não levem ouro ou prata, nem sacola ou alforje, nem pão, nem bastão, nem tenham duas túnicas” (Mt 10,9-10). O Fundador, imbuído desse espírito missionário, após ouvir essas palavras do evangelho e entendendo-as mais claramente, enfatiza sua nova opção de vida: “é isso que eu desejo realizar com todas as minhas forças” (LTC 25).

Desde os primórdios da Ordem, Francisco de Assis, por inspiração divina, tinha a preocupação de viver segundo a perfeição evangélica. E alguns, por seu exemplo, também começaram a abraçar este mesmo ideal de vida: abandonando tudo, vivendo sem nada de próprio, amando os seus, sendo respeitoso e honesto com os irmãos numa vida de simplicidade e afetividade (cf. 1B 3).

29/05/1517

A 29 de maio de 1517, Leão X, com a bula Ite vos, separou a Ordem Franciscana em Frades Menores Conventuais e Observantes. Surgiram reformistas, divididos pelo dilema: viver a experiência fundante de Francisco ou adequar a Ordem aos tempos.

03/07/1528

A Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFM.Cap) é um ramo da Família Franciscana que tem São Francisco de Assis como pai e fundador. Sem perder o carisma específico, esta Família Franciscana se dividiu em três ramos principais: Ordem dos Frades Menores (OFM), Ordem dos Frades Menores Conventuais (OFM.Conv) e a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFM.Cap).

Ordem dos Frades Menores (OFM), Ordem dos Frades Menores Conventuais (OFM.Conv) e a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos (OFM.Cap)

Os Franciscanos Capuchinhos – Frades de hábito marrom e de capuz pontudo tivera início na Itália, no século XVI, com o objetivo de observar rigorosamente a “Regra e Vida dos Frades Menores, escrita por São Francisco de Assis, e praticar a Pobreza radical, a Oração contemplativa e a vida missionária anunciando a todos o Evangelho de Jesus Cristo.

O século XVI vivia um generalizado clima de reforma religiosa e, aqui, se situa a “Reforma Capuchinha”, aprovada pelo Papa Clemente VII (1522-1534) em 1528 mediante a bula Religionis zelus. Em 1529, o novo ramo Franciscano redigiu suas primeiras normas de vida, conhecidas como “Constituições de Albacina”, que foram aperfeiçoadas em 1536 com as novas “Constituições de Santa Eufêmia”.

Após muitas lutas e sofrimentos, a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, reconhecida pela Igreja Católica, espalhou-se por toda a Europa, zelando por sua comunhão com o Papa, por uma vida austera e por uma atividade missionária à luz do célebre Concílio de Trento (1545-1563).‍

1612

Missionários por inspiração de origem, os Capuchinhos Franceses, trazidos pelas forças invasoras da Holanda calvinista, procuraram fixar-se no Brasil, primeiro em São Luís do Maranhão (1612) e, depois, em Olinda e Recife (1642).

Os Holandeses foram expulsos pelas forças portuguesas, mas os Capuchinhos, aprovados pela “Congregação da Propagação da Fé”, criaram raízes no Brasil como “Missionários Apostólicos”, até que o Estado absolutista português, em 1698, os expulsou sob o pretexto de serem estrangeiros e de serem suspeitos de traição política.

Em 1705, os Capuchinhos, agora, de procedência italiana, são convocados pelo próprio Imperador do Brasil para retomarem os trabalhos missionários junto aos índios, abandonados à própria sorte desde a expulsão dos Padres Jesuítas. “Os Capuchinhos foram heroicos missionários e leais servidores do Estado, amados pelos índios e pelo povo simples do Interior, onde pregaram Missões Populares, realizavam desobrigas e administravam, inclusive, paróquias. Receberam um merecido título de “Pais dos Índios”, dado pelos próprios indígenas. (Capuchinhos no Brasil, 9).

Com a proclamação da República e a separação entre Igreja e Estado, a vida missionária capuchinha ganha um novo impulso. Livre das amarras estatais (Igreja do Padroado), os Missionários Capuchinhos, agora, são enviados pela própria Ordem Capuchinha cujo Ministro Geral, Frei Bernardo Christen de Andermatt (1837-1909) reorganizou a atividade missionária em toda a Ordem dos Frades Menores Capuchinhos, mediante o “Estatuto das Missões” de 1887. Em força deste Estatuto, as Províncias Capuchinhas são responsáveis por todo trabalho missionário, desde o do envio dos frades até o sustento dos mesmos. E mais, cada Província Capuchinha deveria ter sua Frente Missionária.

A Itália Capuchinha “invade” o Brasil enviando missionários em quase todos os seus Estados, a partir de 1887. Os Missionários deviam ajudar na organização da Igreja local (diocesana) e no esforço para implantar a Ordem Capuchinha mediante vocações nativas. O Capuchinho italiano toma cor brasileira, inclusive, o Capuchinho Frances – Província de Sabóia, na França – enviado ao Rio Grande do Sul para dar assistência espiritual aos migrantes italianos da Região. Assim nasceram as Províncias e Custódias Capuchinhas no Brasil que deixaram a marca de suas sandálias franciscanas nas cidades e nos sertões brasileiros, com coragem apostólica invulgar.

Província Nossa Senhora dos Anjos
Rio de Janeiro e Espirito Santo
Ordem dos Frades Menores Capuchinhos

Introdução

Ao comentar o livro Pelos caminhos da História: nos bastidores do Brasil Colônia, Império e República, de autoria do advogado e diplomata Vasco Mariz, a historiadora Mary del Priore emite uma magistral afirmação com as palavras a seguir apresentadas: “Jamais saberemos quem somos se não soubermos quem fomos”.

Nossa Senhora dos Anjos

A afirmação da supramencionada historiadora se coaduna com a atual inquietação dos Frades Menores Capuchinhos da Província Nossa Senhora dos Anjos do Rio de Janeiro e Espírito Santo, designadamente os que estão a serviço do Santuário e da Paróquia de Nossa Senhora dos Anjos nas longínquas terras de Itambacuri-MG, pois, ano de 2023, comemoraremos os cento e cinquenta anos da implantação da Ordem e do início da devoção a Nossa Senhora dos Anjos naquela região.

A fim de melhor compreendermos a história da Província do Rio de Janeiro e Espírito Santo nos dias de hoje, é de fundamental importância que revejamos o fraterno testemunho dos frades da Fraternidade de ontem.

1. Um breve histórico do início da presença da Ordem no Brasil

Oriundos da França, acompanhando a expedição organizada por Daniel de La Touche, Senhor de Lavardière, os primeiros frades de nossa Ordem vieram ao Brasil no ano de 1612. Fixaram-se em São Luís do Maranhão. Eram quatro. Foram reforçados por mais dez em 1614. Sua permanência foi breve. Regressaram à França com os militares franceses expulsos pela reação portuguesa em 1615. Dois desses frades, Frei Ivo de Evreux e Frei Cláudio de Abeville, deixaram livros de grande valor, relatando a curta vida da missão por eles fundada no Maranhão. Frei Cláudio de Abeville escreveu História da missão dos padres capuchinhos na Ilha do Maranhão e Frei Ivo de Evreux escreveu Viagem ao norte do Brasil.
No ano de 1642, as forças invasoras holandesas aprisionaram alguns frades bretões que se encontravam na África portuguesa a serviço do Evangelho , sob a direção de Frei Colombino de Nantes, e os transportaram para o Recife onde com sua edificante vida se impuseram ao respeito e à admiração dos invasores e dos portugueses.

O então governador holandês no Brasil, Conde de Nassau, apesar de herege, recebeu bem em Recife os frades menores capuchinhos e lhes concedeu plena liberdade de ação. Imenso foi o bem que espargiram ali os frades bretões.

No ano de 1645, cessada a luta entre portugueses e holandeses, os frades seguiram o exército português servindo nele espiritual e corporalmente aos sãos e doentes com muito amor e profunda dedicação. Espalharam-se pelo Brasil e se dedicaram preferencialmente à catequese dos silvícolas.

No ano de 1659, com total aceitação e agrado do prelado e dos ministros régios, os frades menores capuchinhos estabeleceram-se no Rio de Janeiro. Cuidaram sempre com especial zelo e carinho da grande obra da qual ficaram, entre outros, como imperecível monumento da sua heroicidade, a cidade de São Fidélis, no estado do Rio de Janeiro, a de Itambacuri, no estado de Minas Gerais.

Na então capital do Brasil, tiveram como primeira morada o hospício (pequeno convento) por eles erigido no topo do Morro da Conceição. No ano de 1742, passaram a residir no hospício de Nossa Senhora da Oliveira, construído por ordem d’El Rei D. João V, na rua que tomou o nome de “Barbonos”, onde permaneceram durante 66 anos cheios e de sacrifícios.

Depois de dois séculos de exaustivos trabalhos, catequizando os silvícolas e pregando missões nas mais remotas regiões, os frades estiveram para desaparecer. Com a chegada da família joanina em 1808, os frades, obrigados a ceder o seu hospício aos frades do Carmo, agasalharam-se nas casas dos romeiros do outeiro da Glória onde, por um período de quase 20 anos ficaram mal acomodados. Durante alguns anos andaram sem teto, nem pouso certo, do outeiro da Glória à igreja de Santo Antônio dos Pobres, na Rua dos Inválidos. No ano de 1832, a comunidade dos frades menores capuchinhos do Rio de Janeiro foi extinta. Uns voltaram para as aldeias dos índios no interior do país e outros regressaram às províncias de origem na Itália.

2. Nova Missão Capuchinha/Prefeitura Apostólica

A Missão dos Frades Menores Capuchinhos deixou sólidas bases de presença e atuação nos atuais estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais (Itambacuri, e Mantena), território da atual Província Nossa Senhora dos Anjos do Rio de Janeiro e Espírito Santo.

Santuário de Nossa Senhora dos Anjos em Itambacuri-MG

No ano de 1840 chegavam 14 missionários, e Frei Fidélis de Montesano foi o primeiro Superior (Prefeito Apostólico). Inicialmente alojaram-se no Hospício da Conceição (franceses), transferidos para o Hospício das Oliveiras (italianos). Construíram o novo Hospício no Morro do Castelo junto à ermida dedicada a São Sebastião.

A Prefeitura Apostólica sofreu constantes ingerências e restrições por parte do Governo. A fim de resguardá-la, a Santa Sé criou o Comissariado Geral, coordenado diretamente pelo Internúncio Apostólico (1846) e o Comissário Geral tinha responsabilidade sobre todo o Brasil, chegando até Montevidéu. Frei Fabiano de Scandiano foi o primeiro Comissário Geral (1846 a 1859) e o último foi Frei Fidélis de Ávola (1880 a 1896). No ano de 1893 houve a supressão do Comissariado Geral, mas demorou três anos sua efetivação (1896).

3. Missão Regular

O Comissário Geral Frei Fidélis de Ávola (1880 a 1896), siracusano, lutou para que a Província de Siracusa assumisse a Missão do Rio de Janeiro. Em dezembro de 1896, o Definitório Provincial, unanimemente, pede ao Ministro Geral a Missão do Rio de Janeiro para a Província de Siracusa. Em janeiro de 1897, o pedido foi oficialmente concedido e indicados os pioneiros escolhidos para a nova Missão: Frei Eugênio de Cômiso, Frei José de Castrogiovanni, Frei Egídio de Mazzarino e Frei Francisco de Mascalucia. Chegaram ao Rio de Janeiro no dia 17 de abril de 1897. Em seguida vieram Frei Caetano de Cômiso e Frei Luiz de Mazzarino.

No decorrer de sua existência, a Missão Regular teve como superiores os seguintes irmãos: Frei Luiz de Piazza Armerina (1897 a 1905), Frei Serafim de Gorízia (1905 a 1909), Frei José de Castrogiovanni (1905 a 1915), Frei Gaspar Zapulla de Módica (1915 a 1923), Frei Eugênio de Cômiso (1923 a 1929), Frei Vicente de Licodia (1929 a 1934) e Frei Serafim de Sortino (1934 a 1937).

4. Custódia Provincial

A Custódia Provincial do Rio de Janeiro e Espírito Santo foi criada pelo então Ministro Geral da Ordem, Frei Virgílio de Valstagna, mediante decreto de 30/04/1937. O território da nova Custódia deveria ter uma certa unidade territorial e o Custódio seria nomeado pelo Definitório Provincial após consulta dos frades professos perpétuos e pertencentes à Custódia.

Caberia ao Definitório Provincial nomear os guardiães, os mestres de noviços, o diretor de estudos, aceitar novas paróquias e erigir ou suprimir fraternidades. Receber os votos dos noviços seria atribuição do Ministro provincial, podendo delegá-la ao Custódio. A nova Custódia deveria, o mais rápido possível, organizar o Seminário, o Noviciado e a Casa de Estudos.

Aos poucos e por motivos históricos, o território restringiu-se ao Rio de Janeiro e Espírito Santo. A decisão de concentrar forças acabou dando prioridade a compromissos nos arredores do Rio de Janeiro (Niterói, São Gonçalo e Petrópolis) e nas proximidades de Santa Teresa, no estado do Espírito Santo. Três casas no estado de Minas Gerais (Itambacuri, Conceição do Mato Dentro e Mantena).

No decorrer de sua existência, a Custódia Provincial teve como Custódios os seguintes irmãos: Frei Serafim de Sortino (1937 a 1950), Frei Jacinto de Palazzolo (1950 a 1953), Frei Tarcísio de Palazzolo (1954 a 1957), Frei Sisto Veca (1957 a 1963), Frei Agatângelo La Pila de Sortino (1963 a 1965) e Frei Sisto Veca (1966 a 1968).

5. Vice-Província

O primeiro Capítulo da Vice-Província foi celebrado no ano de 1972. Contou com a presença do Ministro Provincial de Siracusa. Esse Capítulo aprovou o novo Estatuto da Vice-Província: SESEBE (Serviço Social Educacional Beneficente) em substituição ao anterior organizado por Frei Jacinto de Palazzolo em 1938: Ordem dos Missionários Capuchinhos do Rio de Janeiro e Espírito Santo. Houve a tentativa da venda do Seminário de Santa Teresa para o Governo do Estado do Espírito Santo. Graças a Deus, não passou de uma tentativa frustrada.

No decorrer de sua existência, a Vice-Província teve como Vice-Provinciais os seguintes irmãos: Frei César João Broetto (1971 a 1972), Frei Sisto Veca (1972 a 1974) e Frei Antônio Elizeu Zuqueto (1974 a 1980). Frei Antônio Elizeu Zuqueto foi eleito para dois períodos consecutivos. No dia 14/03/1980 o Papa João Paulo II o nomeou Bispo Auxiliar de Teófilo Otoni-MG com residência em Mantena-MG. No dia 8 de junho daquele mesmo ano, no Santuário de Nossa Senhora dos Anjos em Itambacuri-MG, recebeu a ordenação episcopal.

No transcurso de quase uma década, caminhando firme, no meio da crise pós-conciliar e da renovação da própria Ordem, a Vice-Província serenamente se preparou para a proclamação da autonomia provincial.

6. Província Nossa Senhora dos Anjos

O Definidor geral para a América Latina, Frei José Carlos Corrêa Pedroso (em pé) e o Ministro geral da Ordem, Frei Pascoal Rywalski em assembleia. / Foto: Arquivo Capuchinhos

Sob o título de Nossa Senhora dos Anjos, a Província do Rio de Janeiro e Espírito Santo foi criada no dia 22/04/1980 mediante decreto do então Ministro Geral da Ordem, Frei Pascoal Rywalski. No que diz respeito ao território, o Decreto estabelecia o seguinte limite: Estado do Rio de Janeiro, Estado do Espírito Santo e as três fraternidades situadas no Estado de Minas Gerais (Itambacuri, Conceição do Mato Dentro e Mantena).

A solene e oficial proclamação aconteceu durante a “Assembleia Provincial”, nos dias 11 a 13 de dezembro de 1980, na Fraternidade São Sebastião (Rio de Janeiro), sob a presidência do Ministro Geral Frei Pasocal Rywalski, com a presença do Definidor Geral para a América Latina Frei José Carlos Corrêa Pedroso, inúmeros bispos (especialmente da Ordem) e Ministros provinciais da Itália e do Brasil. Além da proclamação oficial, no decorrer dessa Assembleia, tratou-se do “Estatuto da Província e do Diretório do Capítulo. Aprofundou-se ainda o estudo do Plano de Formação, do Plano de Pastoral e do Plano de Administração.

No lugar de Frei Antônio Elizeu Zuqueto, agora Bispo Auxiliar de Teófilo Otoni-MG, Frei César João Broetto assume o governo da Província. Frei Sisto Veca retorna à Província de Siracusa (Itália) onde seria eleito Ministro Provincial por triênios consecutivos.

O primeiro Governo Provincial foi constituído pelos seguintes irmãos: Frei César João Broetto (Ministro Provincial), Frei Jayr Antônio Sylvestre (Vigário Provincial); Frei Vital André Ronconi, Frei Agostinho Ramiro Francisco e Frei Laudelino Geraldo de Oliveira (Definidores Provinciais). Com especial licença, a Província celebrou, imediatamente, o seu primeiro Capítulo Provincial, aberto pelo Ministro Geral da Ordem, Frei Pascoal Rywalsky, e presidido pelo Definidor Geral Frei José Carlos Corrêa Pedroso. Itens aprovados nesse Capítulo: continuar com o Educandário São Francisco de Assis, dar apoio ao Seminário de Santa Teresa, exigir relatório trimestral das paróquias administradas pela Província, difundir o BICI (órgão de comunicação da Cúria Geral para toda a Ordem), aumentar o entrosamento com a Igreja local e, por fim, dar maior atenção ao serviço de documentação história referente à Província.

A nova Província, na sua proclamação, nasce com sete fraternidades: Fraternidade São Sebastião (Rio de Janeiro-Niterói-São Gonçalo), São Francisco de Assis (Santa Teresa-Jacaraípe), Nossa Senhora dos Anjos (Itambacuri-MG), Santo Antônio (Mantena-MG), Bom Jesus (Conceição do Mato Dentro-MG), Beato Leopoldo Mandic (Teresópolis-RJ) e Nossa Senhora Aparecida (Petrópolis-RJ). Administrava nove paróquias: São Sebastião (Rio de Janeiro), Nossa Senhora das Graças (São Gonçalo), Coração Eucarístico de Jesus (Niterói-RJ), Nossa Senhora dos Anjos (Itambacuri-MG), Nossa Senhora da Conceição (Conceição do Mato Dentro), Santo Antônio de Pádua (Mantena-MG) e Setor Paroquial São Pedro Apóstolo (Jacaraípe/Serra-ES). Quatro casas de formação: Aspirantado (Santa Teresa-ES), Postulantado (Itambacuri-MG), Noviciado (Teresópolis-RJ) e Pós-Noviciado (Petrópolis-RJ).TOTAL: 10 fraternidades, 47 frades, 3 noviços, 6 postulantes, 10 estudantes de Filosofia/Teologia e um frade a serviço da Nunciatura Apostólica residindo em Brasília-DF.

Atual Governo Provincial, eleito em 2019, ficou assim constituído (a partir da esquerda): Frei José Wiliam Corrêa de Araújo, 2° Conselheiro Provincial; Frei Edcarlos Mario Hoffman; Frei Arles Dias de Jesus, Ministro Provincial; Frei Luiz Fernando T. Duarte, Vigário Provincial; Frei Arineu Mozer Macedo, 3º Conselheiro Provincial; e Frei Carlos Silva, atual Bispo Auxiliar da Arquidiocese de São Paulo.

No decorrer destes quase quarenta anos, a Província Nossa Senhora dos Anjos do Rio de Janeiro e Espírito Santo teve a graça de celebrar 14 Capítulos Provinciais. No transcurso de todo este tempo, foram eleitos Ministros Provinciais os seguintes irmãos: Frei César João Broetto (1980 a 1983), Frei Dimas de Castro Neves (1983 a 1986), Frei Jayr Antônio Sylvestre (1986 a 1992), Frei João Carlos de Araújo (1992 a 1995)1, Frei Júlio Cézar Borges do Amaral (1995 a 1998), Frei Luiz Carlos Siqueira (1998 a 2001), Frei João Carlos de Araújo (2001 a 2007), Frei Jorge Luiz de Oliveira (2007 a 2013), Frei Luiz Carlos Siqueira (2013 a 2019) e Frei Arles Dias de Jesus (2019 até os dias de hoje).

No transcurso de todo este tempo, por diversificados motivos, não houve outra alternativa senão a supressão de algumas fraternidades. No triênio provincial (2001 a 2004), foram fechadas as seguintes fraternidades: Fraternidade Nossa Senhora Auxiliadora em Itarana-ES e Fraternidade Nossa Senhora das Graças em São Gonçalo-RJ. Com a graça de Deus, houve ereção de outras. No triênio (2007 a 2010), foram abertas as seguintes fraternidades: Fraternidade São José Operário em Ecoporanga-ES, Fraternidade São Benedito em Nova Almeida (Serra-ES)2 e Fraternidade São Serafim de Montegranaro em Santa Cruz da Serra (Duque de Caxias-RJ). No triênio (2016 a 2019), o Governo Provincial decidiu pela ereção da Fraternidade São Pio de Pietrelcina em Venda das Pedras (Itaboraí-RJ).

O Capítulo Provincial de 1992, quase por unanimidade, achou por bem suprimir a Fraternidade Bom Jesus em Conceição do Mato Dentro-MG. A supressão aconteceu no dia 5 de fevereiro de 1995, depois de 80 anos de presença dos frades naquele município. A partir dessa data, ao ser entregue à Diocese de Guanhães-MG, a Paróquia de Nossa Senhora da Conceição passa aos cuidados do clero diocesano. O nosso antigo Convento passa a ser residência dos sacerdotes diocesanos responsáveis por aquela Paróquia.

Economicamente, tornou-se inviável a permanência dos frades em Nova Almeida (Serra-ES). Não houve outra alternativa senão a supressão da Fraternidade. No dia 12 de abril de 2020, os frades se despediram da Paróquia Epifania do Senhor aos Reis Magos. No dia 15 de abril, viajaram em direção às fraternidades para as quais foram designados.

Atualmente, estruturada em três Regionais (Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais), a Província Nossa Senhora dos Anjos do Rio de Janeiro e Espírito Santo conta com um número de 10 fraternidades assim distribuídas:

Estado do Rio de Janeiro

Fraternidade São Sebastião (Rio de Janeiro-RJ), Fraternidade São Pio de Pietrelcina (Itaboraí-RJ), Fraternidade São Serafim de Montegranaro (Duque de Caxias-RJ), Fraternidade Nossa Senhora Aparecida (Petrópolis-RJ) e Fraternidade São Leopoldo Mandic (Teresópolis-RJ).

Estado do Espírito Santo

Fraternidade São Francisco de Assis (Santa Teresa-ES), Fraternidade São Félix de Cantalício (Viana-ES) e Fraternidade São José Operário (Ecoporanga-ES).

Estado de Minas Gerais

Fraternidade Nossa Senhora dos Anjos (Itambacuri-MG) e Fraternidade São Crispim de Viterbo (Mantena-MG).

Considerações finais

Após delicada e minuciosa reflexão sobre o tema proposto, chegamos ao final do presente trabalho. Não temos aqui o objetivo de resumir o que foi desenvolvido, mas apenas concluir a partir de pressupostos colocados. Não pretendemos desenvolver novas ideias, mas simplesmente recordar a bela caminhada dos frades menores capuchinhos nestas terras do Rio de Janeiro, Espírito Santo e parte de Minas Gerais.

Apesar de ser uma temática amplamente abordada por inúmeros historiadores, tanto frades como leigos, cremos que, em decorrência da relevância do próprio tema, muito ainda falta a ser aprofundado.

Este trabalho que ora se encerra está incompleto, pois no momento não temos em mãos muito material a ser pesquisado. A pedido do Ministro Provincial e do Conselho de Formação Permanente (COFO-P), em preparação à celebração comemorativa dos quarenta anos de nossa Província, elaboraremos um texto com a finalidade de resgatar os principais momentos de nossa história. Em vista de apresentar aos nossos frades um trabalho primoroso por ocasião da Assembleia comemorativa dos quarenta anos de vida fraterna enquanto Província, faremos no Arquivo Provincial uma pesquisa que, também, permitir-nos-á aprimorar este trabalho que ora concluímos.

Referências bibliográficas

PALAZZOLO, Frei Jacinto. Nas Selvas dos Vales do Mucuri e do Rio Doces, Brasiliana (Companhia Editora Nacional), 1973.
PEREIRA, Frei Serafim José. Missionários Capuchinhos as antigas Catequeses Indígenas e nas sedes do Rio de Janeiro, Espírito Santo e Leste de Minas Gerais (1840-1997). Cúria Provincial dos Capuchinhos do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1998.
ZAGONEL, Frei Carlos Albino (organizador). Província do Rio de Janeiro e Espírito (Nossa Senhora dos Anjos). In: Capuchinhos no Brasil, Edições EST, 2001.
Apesar de estar situada em município do estado do Espírito Santo, devido à proximidade geográfica entre Ecoporanga e Mantena-MG, a Fraternidade São José Operário se integra ao Regional de Minas Gerais.

Fonte: Igreja dos Capuchinhos

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