FRANCISCLAREANDO – Inquieto Coração

182

Inquietude – qualidade tão controversa: a inquieta chama do Espírito nos impulsiona, move o mundo ao ritmo do sonho de Deus; nosso inquieto coração não descansa, enquanto não repousa no mesmo Deus; a inquieta criança põe sempre em guarda o inquieto cuidado da mãe; o inquieto nordeste vibra, canta e dança “juninamente” ao som da riqueza musical única que brota de seu pulsante coração. O inquieto coração de Francisco e Clara busca, sem tréguas conformar seu coração ao coração do pobre Crucificado e de sua dulcíssima Mãe. No mês do amor, da inquieta alegria, da vida inquieta, voltamos nosso olhar sobre a inquietude com que Francisco e Clara buscam seguir fielmente os passos do Senhor Jesus Cristo, e fazer de todas as criaturas fieis seguidoras.

A sua amiga Inês de Praga, Clara escreve: “Tomara que você se inflame cada vez mais no ardor dessa caridade, ó rainha do Rei celeste! Além disso, contemplando suas indizíveis delícias, riquezas e honras perpétuas, proclame, suspirando com tamanho desejo do coração e tanto amor.

Arrasta-me atrás de ti! Corramos no odor dos teus bálsamos, ó esposo celeste! Vou correr sem desfalecer, até me introduzires na tua adega, até que tua esquerda esteja sob a minha cabeça, sua direita me abrace toda feliz, e me dês o beijo mais feliz de tua boca” (4In 27-32).

Em outros lugares, a inquietude toma o nome de solicitude. Em relação às outras Irmãs: “Antes, sejam sempre solícitas em conservar, umas com as outras, a unidade do amor mútuo, que é o vínculo da perfeição” (RSC 10,7). E em relação à própria vocação: “Com que solicitude, então, com que zelo da mente e do corpo, devemos observar o que foi mandado por Deus e por nosso pai, para restituir o talento multiplicado, com a colaboração do Senhor” (TestC 18)

Em Francisco, esta inquietude é pressa, urgência, emergência: “Leu-se certo dia, naquela igreja, a passagem do Evangelho que conta como o Senhor enviou seus discípulos a pregar. O santo de Deus estava presente e escutava atentamente todas as palavras. Depois da missa, pediu encarecidamente ao sacerdote que lhe explicasse o Evangelho. Ele repassou tudo e Francisco, ouvindo que os discípulos não deviam possuir ouro, prata ou dinheiro, nem levar bolsa ou sacola, nem pão, nem bastão pelo caminho, nem ter calçados ou duas túnicas, mas pregar o reino de Deus e a penitência, entusiasmou-se imediatamente no espírito de Deus: “É isso que eu quero, isso que procuro, é isso que eu desejo fazer de todo o coração”. Transbordando de alegria, apressou-se o santo pai a concretizar o salutar conselho, e sem demora pôs devotamente em prática o que ouvira. … E procurou praticar com toda diligência e reverência também as outras coisas que ouvira. Pois não era surdo ao Evangelho, antes guardava tudo com uma memória admirável e tratava de executá-lo à risca” (cf. 1Cel 22).

Como Francisco, igual a Clara sejamos inquietas no cuidado da Mãe Terra, da Irmã Água, das Irmãs e Irmãos que “Deus nos dá”, no cuidado de todas as criaturas. Com solicitude, cuidemos o coração, a vida que palpita ou que agoniza, que começa ou se vai extinguindo, vida sempre! Cuidemo-nos mutuamente, com a mesma solicitude e zelo do Coração de Maria que formou o Coração de Jesus para entregar-se, para amar até o fim.

Por: Irmã Maria Fachini

Fonte: CICAF

DEIXE UM COMENTÁRIO

Deixe seu comentário
Coloque seu nome aqui